Nulo sentimento sentido

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Sinos de água

Eu gosto do gosto
De chuva no rosto
Tão simples e calmo
Suave e gentil.

Eu vejo na luz
A prata singela
Os olhos, tão quentes
E o riso na janela.

Um pingo e uma gota
Ou o sino que canta
Em um dia qualquer
Com tanto bem me quer.

Mesmo na noite
No escuro em silêncio,
Eu vejo o agora
Que brilha e aflora.

Momentos literais

Eu acordo todo dia
Obrigada sempre
A vestir a máscara
Da falsa alegria

Encasulo minha dor
Para que não vejam
Toda essa tristeza
Projetada em rancor.

Eu sinto o vazio
Imperador na lata
Do lixo que me jogam
Sozinha e abandonada.

Eu me sinto como
O animal jogado
Morto e atropleado
Sem tempo de lamento.

Ainda assim
Eu acordo todo dia
E você não saberá
Se é verdade minha alegria.

A descartabilidade humana

Tão efêmera quanto papel
Eu repouso no fundo do nada
Sugada por um vácuo cruel
Depois de ter sido descartada.

Do que aprendi da vida
É que não é uma mentira
A sensação descartável de ser
Uma peça facilmente substituída.

O tempo passa e já me esquecem.
Com os segundos pintam-me
Tão invisível quanto possível
Até que nenhum olho me veja.

Eu não existo mais em vida nenhuma
E o mundo continua bem sem mim.
Não houve lágrima, nem saudade
Desvaneceram-me até o fim.